Notas do dia / Notas do dia 23/10/2026
Notas do dia 23/10/2026
23 de outubro de 2026
OpenAI acha uma falha grave numa peça usada por milhões de sistemas
Durante um teste de ataque feito de propósito para achar brechas, a OpenAI encontrou uma falha no Brotli, uma biblioteca de compressão de dados que vem embutida em programas muito usados, como o Node.js, uma das bases mais comuns de sites e sistemas. Com essa falha, um invasor consegue rodar o próprio código num servidor sem atualização só mandando um arquivo comprimido preparado, sem precisar de login. O erro já tinha sido corrigido no código do Brotli em fevereiro, mas ninguém sabia que era uma brecha de segurança, então a correção nunca chegou aos programas que usam a biblioteca. O post da OpenAI passou de 1 milhão de visualizações.
É o segundo caso na mesma semana em que uma IA encontra uma brecha grave em software que roda na internet inteira, depois da falha do PHP. Para quem tem site ou sistema feito sob medida, a pergunta para fazer a quem cuida da parte técnica é simples: o que usamos já recebeu a atualização dessa semana?
A falha do Brotli já atinge o Python e outros sistemas
A empresa de segurança Aikido mostrou que a falha, apelidada primeiro de node2shell, virou http2shell, porque não fica só no Node.js. Na quarta, o Node.js divulgou o problema, na quinta foi a vez dos pacotes de Python, e na sexta ficou claro que outras linguagens e programas que recebem dados pela internet também são afetados, alguns ainda sem correção disponível.
Quando ainda não existe atualização, a recomendação da Aikido é desligar a descompressão Brotli até a correção sair. Para quem não é técnico, o recado é que segurança deixou de ser assunto de uma vez por ano: nesta semana, quem cuida do seu sistema precisa olhar isso mais de uma vez.
Kimi lança um modelo aberto quase empatado com os melhores do mundo
A empresa chinesa Moonshot lançou o Kimi K3.1 Pro, que lê até 1 milhão de tokens de uma vez (token é o pedaço de palavra que a IA lê, então dá para jogar vários livros inteiros numa conversa). Num teste de tarefas de programação no terminal, ele fez 65,7%, à frente do GPT-6 Astra, com 58,2%, e logo atrás do Claude Opus 5.5, com 66,4%. Os arquivos do modelo vão ser liberados até 4 de novembro, e o anúncio foi um dos assuntos mais votados do dia no Hacker News.
Modelo aberto é o que qualquer empresa pode baixar e rodar no próprio servidor, sem mandar dados para fora. Quanto mais ele chega perto dos modelos pagos, mais opções o profissional tem para escolher pelo custo e pela privacidade, e não só pela marca.
Google pode usar dados do Gmail e do Google Fotos em anúncios
O Google mudou a política de privacidade e agora abre uma exceção à promessa de não usar o conteúdo do Gmail, do Drive e do Google Fotos para mostrar anúncios. Pela regra nova, em vigor desde 16 de outubro, isso pode acontecer quando a pessoa liga esses serviços aos recursos de IA do Google, como a busca e o Gemini, para receber respostas mais personalizadas. A mudança veio a público nesta sexta e virou um dos assuntos mais discutidos do Hacker News.
Muita empresa pequena ainda funciona com o Gmail pessoal do dono, e é ali que estão contratos, propostas e conversas com clientes. Antes de ligar a IA do Google aos seus e-mails, vale ler o que você está autorizando e separar a conta da empresa da conta pessoal.
Suécia proíbe ChatGPT e Claude nos escritórios do governo
Os escritórios do governo sueco vão proibir o uso direto do ChatGPT e do Claude pelos funcionários, segundo a rádio pública do país. Parte da equipe continua com acesso aos dois, mas por uma plataforma que o próprio governo desenvolveu, por onde passam todos os pedidos.
O governo não proibiu a IA, proibiu o uso solto, sem controle. É o mesmo caminho que muitas empresas vão seguir: definir por onde a equipe usa IA e o que pode ser colocado ali, em vez de deixar cada um usar a conta que quiser.
OpenAI corta a internet dos modelos durante o treino
A OpenAI contou que tirou o acesso à internet de todos os modelos mais avançados enquanto eles são treinados e criou para eles uma cópia guardada da web. No mesmo texto, a empresa descreveu testes em que agentes de IA, colocados em máquinas separadas, conseguiram trocar informações entre si sem rede e sem arquivo compartilhado, usando truques como medir quanto tempo um dado demorava para carregar.
Na maior parte desses testes, a própria OpenAI pediu que os agentes tentassem se comunicar, então não foi uma fuga espontânea. Mas o caso mostra por que um agente que mexe nos sistemas da sua empresa precisa de limites bem definidos, e não só de boas instruções.
IA da Microsoft acerta mais que o dobro dos médicos em casos difíceis
A Microsoft publicou na revista científica Science o estudo do MAI-DxO, um sistema em que vários agentes de IA trabalham como uma junta médica: um sugere o diagnóstico, outro escolhe os exames e outro questiona as hipóteses. Em casos complexos, ele acertou 83,2% dos diagnósticos, contra 36,1% de médicos clínicos gerais que podiam consultar material de apoio, e pedindo menos exames. Os testes num hospital de Boston começam nos próximos meses.
Os próprios pesquisadores dizem que a diferença deve cair contra médicos especialistas. A lição que vale para qualquer área é o formato: vários agentes, cada um com um papel e um revisando o outro, rendem mais que uma IA respondendo sozinha.
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